Histórico

O Onda Cidadã está no ar desde 2003, portanto já construiu uma história, a qual tentamos resumir a seguir.

Antecedentes

O programa Onda Cidadã, como já dito, começou em 2003. Desenvolvido pelo Instituto Itaú Cultural, o projeto nasceu a partir de um desafio proposto por esse instituto à OBORÉ (empresa prestadora de serviços que atua com comunicação popular), com o objetivo de reunir e mobilizar pessoas e emissoras de rádio comprometidas com a diversidade cultural, dedicadas e inclinadas às causas de interesse público.

2003 – os primeiros passos

A primeira edição do evento aconteceu em setembro de 2003, em São Paulo, reunindo mais de 300 participantes, oriundos de 56 municípios e 16 estados. O evento contou com debates, seminários exibição de filme (Uma onda no ar, de Helvécio Ratton), além de um depoimento de Paulinho da Viola.

Ainda nesse ano, em 21 e 22 de novembro, o evento conheceu sua segunda edição, agora em Bauru. Como o primeiro, que ocorreu em São Paulo dois meses antes, a proposta foi debater a interface entre rádio, cultura e educação. Mas desta vez o destaque foi o diálogo com as experiências locais: o palco foi dividido, todo o tempo, entre palestrantes da região ou da própria cidade e representantes da capital paulista.

2004 – apoiando as emissoras cidadãs

Em 2004 o Onda Cidadã passou primeiro pela cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Reallizado no Palácio das Artes, esta que foi a terceira edição do evento aconteceu como parte das atividades de lançamento de outro projeto do Itaú Cultural, o Rumos.

Em seguida foi para o Rio de Janeiro, onde aconteceu no dia 23 de junho. Resultado de uma parceria com o SENAC-RJ, que também sediou o seminário.

Nos dias 11, 12 e 13 de dezembro, em sua terceira edição no ano e quinta no total, o evento voltou a acontecer em São Paulo. Naquele momento, o Onda Cidadã se propunha atuar como articulador de gente que faz ou quer fazer rádio comprometido com a diversidade cultural, dedicado a apoiar novos caminhos para a educação e inclinado às causas de interesse público”, conforme indica a página da Oboré.

2005 – inovação e motivação

Em 2005, de 23 a 25 de junho, o evento abrigou o 1º Encontro Nacional da ARPUB – Associação de Rádios Públicas. Na verdade, a ARPUB nasceu no interior do Onda Cidadã. Essa edição aconteceu em São Paulo e foi qualificada por Ney Messias, que viria a ser presidente da ARPUB, como “histórico, inovador, surpreendente e motivador” (in Encontro reúne rádios públicas, universitárias e comunitárias). O objetivo desse encontro foi o de discutir os modelos de radiodifusão existentes no país; as relações entre o rádio e a arte, a educação e a cultura; a difusão de conteúdos noticiosos; e o incentivo ao uso crítico e inovador do meio.

Nesse momento, o Onda já está plenamente amadurecido e pronto para um salto de qualidade no que diz respeito ao seu formato e a seus objetivos. Dadas as características do evento em 2006, o evento não só teve continuidade, como aprofundou o nível do diálogo.

 

2006 – pluralidade de agenciamentos

 

No ano de 2006, durante a Copa do Mundo da Alemanha, o programa reuniu instituições e ativistas do campo popular, cujas formas de atuação e perspectivas políticas são declaradamente democráticas e democratizantes, empenhadas na busca por cidadania e afirmação da potência das chamadas minorias e, finalmente, cujas inúmeras vozes se comunicam de maneira enfática – em outras palavras, produzem e atuam em rede.

Um olhar panorâmico sobre as participações e atividades que se estenderam ao longo dos 24 dias de evento logo demonstrará essa pluralidade: rádios comunitárias, Organizações Não Governamentais, iniciativa de Mídia Tática, intelectuais, ativistas de inúmeros pontos do país representam formas as mais diferentes de atuação. Além disso, incluiu oficinas, exibição de filmes e uma redação dedicada exclusivamente ao Onda Cidadã.

 

2007 – I Forum Onda Cidadã

Em 2007, o Onda Cidadã dá outro importante salto de qualidade. Nessa edição, o centro de gravidade do evento foi a realização do Primeiro Forum Onda Cidadã, que reuniu 41 experiências de comunicação autônoma de todo o país. Divididos em cinco grupos temáticos – Audiovisual, Internet, Interseções, Mídias Impressas e Rádio – os representantes de cada grupo, vindos de todas as regiões do país, discutiram o tema proposto para o Encontro: Sustentabilidade. Cada mesa contou com um relator, cujo objetivo era contribuir para o andamento da discussão e produzir um texto sobre os conteúdos acumulados na ocasião. Na órbita do Forum, aconteceram ainda oficina de imagem, mostra de vídeos produzidos por movimentos sociais e apresentações artísticas.

Realizado no Circo Voador, na Lapa, Rio de Janeiro, o próprio lugar que abrigou o evento contribuiu para que ele se tornasse um marco na trajetória do Onda Cidadã. Nessa edição, os grupos e ativistas presentes priorizaram, ao final, uma única reivindicação: que o Itaú Cultural desenvolvesse um mapeamento das experiências de comunicação autônoma no país e, ao mesmo tempo, um espaço de trocas e partilha para essas mesmas experiências.

 

2008 a 2010 – mapeamento de midias autônomas

 

Entre 2008 e 2010, o Programa Onda Cidadã se concentrou em duas frentes.

A primeira – que atende à primeira reivindicação feita no forum de 2007 – reside na realização do Mapeamento de Mídias Autônomas no Brasil, que atualmente é composto por mais de 250 iniciativas de midialivrismo e ativismo cultural de todo o país. Com ênfase sobre as experiências com mais de dois anos de existência, essa pesquisa aborda os seus veículos de comunicação, as formas de sustentabilidade, as metodologias de trabalho, os tipos de profissionais, os públicos preferenciais, enfim, toda uma gama de informações sobre a cadeia produtiva do que tem se chamado de “cultura livre” no Brasil. O mapeamento, em 2009, abarcou 100 instituições. Em 2010, mais 150. Em 2011, serão mais 100, totalizando 350 experiências consideradas referências no Brasil. Todo o estudo será disponibilizado em agosto de 2011.

A segunda atividade consiste na participação do Onda Cidadã em programas de outras instituições ou de outras gerências do próprio Itaú Cultural: Antídoto, GIFE, Iguacine e Catraca Livre.

 

2011 – Assumir o Compromisso

Em 2011, além de continuar a mapear as experiências de mídia autônoma no Brasil, o Programa realizou – entre 23 e 25 de junho, no âmbito do evento Estereo Saci-Lixo, Moda e Preconceito, evento organizado pela Gerência de Música do Itaú Cultural – o Segundo Forum Onda Cidadã. Para essa atividade, foram convidados 12 ativistas e instituições, sempre atendendo ao princípio de diversidade regional, que se reuniram na sede do Itaú Cultural a fim de discutir o mapeamento – além de participar de palestra-oficina da Professora Beá Meira. Nessa oportunidade, também foi apresentado o site do Onda Cidadã, que representa o cumprimento do segundo compromisso assumido no primeiro forum, qual seja o de desenvolver um espaço para trocas e partilhas entre as iniciativas mapeadas.