Pesquisa
Mapeamento sobre Mídias e Cultura Livre no Brasil
Distribuição regional dos GIACs
Estados atingidos
Tipo de instituições
Tempo de vida dos GIACs
Status legal
Autonomia da sede
Sustentabilidade
Motivação Inicial para Produzir Mídia Livre
Mudanças de objetivos
Quantidade de profissionais
Área de Atuação
Metodologias de Trabalho
Demandas por Formação e Melhorias (geral)
Demandas Específicas por Formação e Melhorias (geral)
Tipos de veículos de mídia
De todas as instituições mapeadas pelo Onda Cidadã entre 2011 e 2012 56% localizam-se na Região Sudeste e as demais e estão divididas entre Norte, Nordeste e Sul.
A pesquisa do Onda Cidadã atingiu 23 Estados brasileiros, além do Distrito Federal, ou seja, abrangeu todo o Brasil!
As iniciativas de mídia livre mapeadas estão distribuídas por diversos tipos de instituição. Destaque-se a presença de midialivristas em ONGs e Grupos Culturais (coletivos).
Expansão do midialivrismo no Brasil: 52% das instituições existem entre 1 e 5 anos.Ao expandir-se a amostra a porcentagem de GIACS consolidadas não chega a 50%. Somente 21% tem mais de 11 anos de existência e 22% entre 6 a 10 anos , somando 43% X 71% do resultado anterior, inverte as tendências, o que pode significar que: fenômeno do crescimentos das GAIACs (Grupos, Associações, Iniciativas Pessoais e Coletivos) ainda é intenso, a estabilidade econômica e a facilidade de acesso aos equipamentos eletrônicos corroboram com esta tendência.
A pesquisa aponta a predominância de instituições formalizadas entre iniciativas midialivristas. Entretanto, cerca de 28% são informais ou não tem interesse de se formalizar.
Mais da metade das iniciativas mapeadas possui sede alugada ou cedida e 20% possuem sede própria.
A pesquisa demonstrou que há um leque maior de estratégias de sustentação financeira dessas iniciativas. E não há entre elas o predomínio de uma única fonte de recurso para financiamento das atividades. Mas, pelo gráfico, se percebe que a prestação de serviço é uma tendência entre midialivristas. Contudo, o que conta ainda é uma certa “se-virologia”: a maior parte do trabalho é autônomo, sem vínculos formais e contratos de trabalho definidos, com excecção do midialivrismo institucional, onde o trabalho é mais organizado, mas a autonomia de trabalho é menor, já que os temas de trabalho obedecem a diferenets agendas institucionais. O que há de novo – memso entre os precários – é a venda de produtos (modo de vida peculiar de se fazer uma notícia) como estratégia de ganho de renda, através de práticas como cobrança de mensalidades, prestação de serviços de assessoria/consultoria e realização de oficinas/palestras/coberturas. E isso demarca o fato de que o trabalho midialivrista é, ao mesmo tempo, uma atuação na produção de linguagens comunicacionais, mas, sobretudo, de conhecimento sobre o funcionamento de ferramentas, de construção de públicos e de produção de redes, para citar três habilidades típicas da geração que cria por conta própria (sem contrato de trabalho, o que é um grande problema), para além da cultura da doação e do patrocínio.
Observa-se que as motivações iniciais são, em geral, respostas às demandas sociais das mais diversas como Enfrentamento de demandas sociais e culturais, 43%, ;Direitos Humanos e democracia 13%. Comunicação 12%. Melhorar área profissional somam 7%.
Um indício que aponta a estabilidade dos GIACs é a declaração de quase 60% de não ter mudado seus objetivos iniciais. Isso é interessante porque, mesmo se a tendência de empresariamento dos midialivristas continuarem, o foco de sua atuaçãocontinua político. Nesse sentido, midialivristas são uma forma de empreendedores políticos.

71% das mídias livres são produzidas por até 5 pessoas. Chama a atenção um fenômeno novo no país: os coletivos de mídia, um pequeno grupo, quando não uma única pessoa, que através de seu site, se conecta a um “cluster” temático para produzir informação e linguagem mais especializada.
A atuação local predomina-se na abrangênca das atividades das mídias livres (46%). Essa relação com a localidade, permeada com a conectividade em rede, explica, em parte, a musculatura nacional que essas atividades passaram a ter. Isso porque com trabalho forte em nível local e conectadas em rede, o grau de interação sobre práticas e inovação nos territórios permite que coletivos, grupos e instituições possam reverberar sentidos e lutas comuns em todo o país.

O trabalho de midialivristas não reproduz uma visão “midiacêntrica”, em que o transporte de informação é o principal objetivo da comunicação. Ao contrário, midialivristas atuam em diferentes campos: na formação, no desenvolvimento social, na mobilização social, na experimentação e desenvolvimento tecnológico. É um trabalho amplo que inventa o produto mídia, ao mesmo tempo, que cria processos midiáticos cada vez mais potentes.

Em termos gerais, a demanda por formação se caracteriza pela busca do aperfeiçoamento técnico em cursos profissinalizantes (20%), pela busca de mais conhecimento em gestão (36%) e na adoção de políticas de formação intelectual formal (sobretudo universitária – 15%).

Em termos específicos, a demanda por formação é bem diversa, tendo aperfeiçoamento em conhecimentos tecnológicos e na captação de recursos como focos principais.

Um dados mais interessantes da pesquisa revela que a internet é o veículo mais utilizados pelos midialivristas: 68% das experiências de mídias independentes são realizações que ocorrem na web. Há uma dupla interpretação para esse fenômeno. Por um lado, a existência de serviços na web que permitem publicação automática de vídeos, textos, sons e fotos. Isso fez explodir o surgimento de sites e blogs independentes marcados pela especialização e pela boa qualidade profissional de conteúdo multimídia. De outro lado, a formidável criação de máquinas de compartilhamento de notícias, inauguradas pelas chamadas redes sociais, permitiu se dispor e monitorar melhor os públicos, agora, transformados em parceiros, seguidores ou amigos. Esse duplo fenômeno fez inaugurar novos modos de engajamento em torno da informação, novos modos de cálculo do alcance de uma notícia e a brutal partipação do públicos nos temas mais relevantes do espaço público midiático. Essa metamorfose no campo da publicação permitiu que mídias livres passassem a projetar na internet o seu locus mais genuíno de realização.











